O que deixa os ricos mais ricos e os pobres mais pobres?

A História de Taine mostra claramente que a classe média foi a que mais sofreu com a Revolução Francesa. A atenção sempre se volta para os nobres, que foram roubados e guilhotinados. Entretanto, quando nos debruçamos sobre a vida naquele período, vemos que, considerando a nação durante os anos de desordem revolucionária, as vítimas foram aqueles que tinham qualquer propriedade, do agricultor ou pequeno comerciante ao indivíduo rico. Os ricos compraram sua liberdade e os nobres foram substituídos por uma nova gangue de parasitas sociais enriquecidos pelo saque e a extorsão. Esses últimos chegam mais perto do tipo de “comitê” que se espera ter em uma sociedade socialista do que qualquer outra coisa na história.

O que torna a brutalidade policial possível?

Tal desigualdade é, sem dúvida, inerente à instituição do próprio Estado. Todos os Estados, mesmo os supostamente democráticos, reservam para seus agentes certos direitos negados ao resto da população. E é nossa aquiescência do Estado que permite visualizar a polícia, até mesmo a polícia do campus, não como nossos iguais, mas como nossos mestres - o que lhes permite se safarem com abusos como este.

As origens da limpeza étnica soviética

Como o terror contra classes se tornou o terror contra etnias.

Direitos às armas como restrições deônticas

Para argumentar que a proibição não viola os direitos de ninguém, Dixon e McMahan devem sustentar que todos os indivíduos ficam mais seguros com a proibição de armas; nenhum risco individual de sofrer crimes violentos aumenta. Mas isso é certamente falso. Considere o caso da mulher que quer comprar uma arma para se proteger de seu ex-marido mentalmente instável e afastado. O ex-marido a supera em 40 kg. Ele já abusou dela antes. A polícia não pode ou não irá protegê-la; eles não estacionarão um carro na frente da casa dela a noite toda, nem enviarão um oficial para segui-la o dia inteiro. Ela não tem esperança de se defender sem uma arma. Ela não está mais segura se ela e o ex-marido forem legalmente proibidos de comprar armas; ela irá ficar à sua mercê.

Guerra e defesa da sociedade

Outros pensadores mantêm uma posição quase oposta: os preparativos militares tornam a guerra mais provável do que menos. Uma razão é que os líderes que acreditam que sua nação está bem preparada para a guerra ou que se consideram comandantes de grandes forças militares podem se comportar de maneira mais agressiva nas interações entre Estados, provocando respostas mais agressivas de outros. Um segundo problema é que a manutenção de um exército permanente cria uma classe permanente na sociedade com interesse econômico em guerra - militares, fabricantes de armas e outros que negociam com militares - e esse "lobby de guerra" pode promover suspeitas a nações estrangeiras e apoiar líderes agressivos que têm maior probabilidade de iniciar ou escalar conflitos. Um terceiro problema é que, apesar da popularidade do ditado "se você deseja paz, prepare-se para a guerra", países estrangeiros têm menos probabilidade de tomar seus preparativos de guerra como evidência de desejos pacíficos do que como evidência de intenções hostis. A suspeita e hostilidade gerada em nações estrangeiras aumentará a probabilidade de espirais de conflito que levam à guerra.

Justiça criminal e resolução de disputas

Existem dois sistemas principais pelos quais uma sociedade pode prever a resolução de disputas e a correção de violações de direitos. O primeiro é o sistema coercitivo e monopolista, no qual uma única organização assume autoridade exclusiva para fazer leis, resolver disputas e punir criminosos. Problemas grandes e bem conhecidos tendem a ocorrer em sistemas desse tipo, incluindo condenações errôneas frequentes, restrições legais excessivas e excessivamente complexas, altos custos monetários, atrasos, prisões superlotadas, abuso de prisioneiros e altas taxas de reincidência. Os governos em geral fazem pouco para resolver esses problemas, apesar da identificação por cientistas sociais e outros especialistas de inúmeras medidas que poderiam ser tomadas para melhorar significativamente o sistema. Essa negligência por parte do governo pode ser atribuída às características definidoras dessa abordagem da justiça; ou seja, seu caráter coercitivo e monopolista. Como o sistema governamental é financiado através de impostos obrigatórios, tribunais, prisões e outros elementos do sistema judiciário podem continuar a coletar a receita que o governo deseja alocar, independentemente da satisfação do consumidor. Como o governo detém um monopólio efetivo da provisão de justiça, essas organizações não precisam temer a substituição por concorrentes, independentemente de seu desempenho.

Segurança individual em uma sociedade sem Estado

A natureza radical desta proposta geralmente gera forte resistência: diz-se que a justiça não deve estar à venda; que as agências estarão em constante guerra umas com as outras; que servirão aos criminosos em vez de suas vítimas; que servirão apenas aos ricos; que não serão capazes de nos proteger, assim como o governo; que se transformarão em agências de extorsão; que um monopólio ou cartel evoluirá para explorar os clientes. Essas objeções surgem bastante quando estudantes, professores e leigos instruídos são introduzidos pela primeira vez à ideia de serviços de proteção não-estatais. Mas se examinarmos a proposta com mais cuidado e maior extensão, veremos que nenhuma dessas objeções é bem fundamentada. Os anarquistas têm argumentos bem fundamentados, fundamentados na teoria econômica e em premissas realistas sobre a psicologia humana, sobre como uma sociedade anarquista evitaria cada um dos desastres que os críticos temem.

A lógica da predação

Meu objetivo, no entanto, foi argumentar que esses mecanismos não podem satisfazer todas as esperanças que os teóricos democráticos depositam neles. A urna é de utilidade limitada para garantir um governo responsivo, uma vez que não é do interesse de eleitores individuais fazer mais do que esforços simbólicos na votação racional e informada. A complexidade do governo moderno torna impossível até mesmo o cidadão mais dedicado se manter informado sobre mais do que uma fração muito pequena das atividades do Estado. Os meios de comunicação são de utilidade limitada, uma vez que não é do seu interesse informar sobre a grande maioria dos erros e perigos do governo. As constituições são de uso limitado, uma vez que é preciso confiar no governo para fazer cumprir a Constituição contra si mesma, e raramente é do interesse do governo fazer isso fielmente. Finalmente, a separação de poderes é de utilidade limitada, uma vez que os diferentes poderes do governo têm mais a ganhar com uma causa comum na extensão do poder do governo do que restringindo vigilantemente o poder um do outro. Como resultado, mesmo os governos democráticos cresceram em enormes proporções nos tempos modernos e se transformaram em ferramentas para pequenos grupos de interesse bem organizados para explorar o resto da sociedade.

E se não existir autoridade?

Se não há autoridade, segue-se que devemos abolir todos os governos? Não. A ausência de autoridade significa, grosso modo, que os indivíduos não são obrigados a obedecer à lei apenas porque é a lei e/ou que os agentes do Estado não têm o direito de coagir os outros simplesmente porque são agentes do Estado. Ainda pode haver boas razões para obedecer à maioria das leis, e os agentes do Estado ainda podem ter razões adequadas para se engajarem em ações coercitivas suficientes para manter um Estado. Se os argumentos dos capítulos anteriores estiverem corretos, as circunstâncias e propósitos que justificariam a coerção por parte do Estado são justamente as circunstâncias e propósitos que justificariam a coerção por parte de agentes privados. Resta ver se algumas organizações estão justificadas em participar de atividades semelhantes a algo como um Estado para se qualificarem como Estados. Na terminologia da filosofia política contemporânea, até agora defendi o anarquismo filosófico (a visão de que não há obrigações políticas), mas ainda tenho que defender o anarquismo político (a visão de que o governo deve ser abolido).

A psicologia da autoridade

Sugeri neste capítulo que os seres humanos são equipados com preconceitos fortes e generalizados em prol da autoridade que operam mesmo quando uma autoridade é ilegítima ou emite comandos ilegítimos e indefensáveis. Como vimos, os indivíduos confrontados com as demandas das figuras de autoridade podem sentir uma compulsão quase incondicional de obedecer, e isso pode levá-los a procurar explicações sobre por que a autoridade é legítima e por que são moralmente obrigados a obedecer.