O Estado

Não se deve jamais esquecer que as nações não declaram guerra umas às outras, nem mesmo no sentido mais estrito são as nações que se enfrentam. Muito se tem falado que as guerras modernas são guerras de povos inteiros, não de dinastias. Mas não é porque a nação está arregimentada e porque seus recursos estão sendo direcionados à guerra que o país enquanto país está lutando. É o país organizado como um Estado que está lutando, e somente como um Estado poderia lutar. Então, literalmente, são Estados que fazem guerras uns com os outros, não povos. Governos são os agentes dos Estados, e são os governos que declaram guerra uns contra os outros, agindo de acordo com os interesses do grande ideal do Estado que representam.

A desigualdade causou a Primeira Guerra Mundial? Contra Hobson-Lênin-Milanovic

Em uma pequena seção no seu novo livro, Branko Milanovic argumenta que a Primeira Guerra Mundial foi causada em última análise pela desigualdade de renda e riqueza entre os países beligerantes, ressuscitando as ideias de John A. Hobson, Rosa Luxemburgo e Lênin. O argumento básico: alta desigualdade doméstica → 'subconsumo' das massas e poupança de ‘excedente’ pelas elites → exportação de capitais, isto é, procura por destinos além-mar de investimentos → a “disputas por colônias” e imperialismo → (uma causa maior da) GUERRA.

Eu examino cada elemento nessa linha de raciocínio e rejeito a visão da “Primeira Guerra Mundial endógena”.