Auto-interesse e a nova crise econômica: uma nova oportunidade no debate perene?

Nada na explicação das leis da oferta e demanda nega a possível existência de outras leis (leis "não econômicas") relevantes para o comportamento humano. Não há nada na teoria econômica que precise deslocar outras disciplinas (sociologia, psicologia, o que seja) de explorar a possibilidade de outras regularidades. Mas, ao mesmo tempo, os insights da teoria econômica não podem ser compreendidos sem perceber o papel da "busca do auto-interesse" de possíveis objetivos altruístas ou outros na geração de processos de descoberta mútua.

Competição como processo de descoberta

Também vale a pena mencionar, a esse respeito, que quanto mais as oportunidades disponíveis de um país permanecem inexploradas, maiores são suas oportunidades de crescimento; isso geralmente significa que uma alta taxa de crescimento é mais um sinal de más políticas no passado do que de boas políticas no presente. Parece também que, em geral, não se pode esperar que um país já altamente desenvolvido tenha uma taxa de crescimento tão alta quanto um país cujo uso total de seus recursos há muito tempo se tornou impossível por barreiras legais e institucionais.

O debate sobre o cálculo econômico: lições para os austríacos

Minha história da articulação em desenvolvimento da moderna perspectiva austríaca é complicada, especialmente no que diz respeito ao debate sobre o cálculo, pela circunstância de que, a partir dessa perspectiva, parece haver três níveis distintos de entendimento econômico em relação ao sistema de preços. Pode ser útil para mim soletrar isso neste momento. São, respectivamente, (1) o reconhecimento da escassez, (2) o reconhecimento do papel da informação e (3) o reconhecimento do papel da descoberta.

O significado da competição

A lição prática de tudo isso, penso eu, é que devemos nos preocupar muito menos com a questão de saber se a competição em um determinado caso é perfeita e se preocupar muito mais com a existência de concorrência. O que nossos modelos teóricos de indústrias separadas ocultam é que, na prática, um abismo muito maior divide a competição da falta dela do que a competição imperfeita. Ainda a tendência atual na discussão é ser intolerante sobre as imperfeições e ficar em silêncio sobre o impedimento da concorrência.

O uso do conhecimento na sociedade

O problema de que estamos tratando aqui de forma alguma diz respeito exclusivamente à economia, pois ele surge junto com quase todos os outros verdadeiros fenômenos sociais, com a linguagem e boa parte da nossa herança cultural, constituindo de fato o problema central de toda ciência social. Como Alfred Whitehead disse, em relação a outra coisa, "Um truísmo profundamente falso, repetido por todos os manuais e nos discursos das pessoas eminentes, diz que devemos cultivar o hábito de pensar sobre o que estamos fazendo. O oposto é que é verdadeiro. A civilização progride quando aumentamos o número de trabalhos importantes que podemos realizar sem pensar neles".

Menger, Liberalismo Clássico e a Escola Austríaca de Economia

Essa visão da soberania do consumidor oferece um critério normativo que difere acentuadamente da base clássica do laissez-faire. Os economistas clássicos viam a economia de livre mercado produzindo (sob os incentivos proporcionados pela mão invisível) o maior volume possível de riqueza material. A visão de mercado de Menger apontava, não tanto para uma maximização da produção agregada, quanto para um padrão de governança econômica exercido pelas preferências do consumidor.

O significado do processo de mercado

Mas a ciência econômica, desde seus primórdios, foi atracada na circunstância empírica de mercados que exibem uma certa ordem. O desafio científico tem sido, não prever uma ordem que ainda não foi observada, mas explicar a circunstância contraintuitiva da ordem de mercado observada, na ausência de controle centralizado. É ao enfrentar esse desafio que a teoria do mercado, desde Adam Smith, lutou para alcançar uma compreensão dos mercados. A abordagem do processo de mercado, totalmente alinhada a essa tradição científica, vê um avanço significativo na compreensão dos mercados como obtida a partir de insights sobre o processo de descoberta competitivo-empreendedora que constitui, nessa abordagem, o núcleo essencial dos fenômenos de mercado ao longo do tempo.

Teoria do processo de mercado: em defesa do meio-termo austríaco

Mas a ciência econômica sempre procedeu da importante circunstância empírica da ordem econômica. Como os livros didáticos elementares nos lembraram pelo menos desde Bastiat, grandes cidades administram, sem grande controle centralizado, as necessidades de provisões diárias de uma maneira razoavelmente ordenada. O mercado obviamente funciona. O fato de o mercado funcionar talvez seja a lição mais significativa da história moderna. Experiências nas últimas décadas pressionaram essa lição na consciência dos homens de ambos os lados da Cortina de Ferro. O problema que sempre preocupou os teóricos é como, sem uma coordenação deliberada, os mercados podem funcionar.

A “Esquerda e Direita” de Rothbard: Quarenta Anos Depois

Agora, acho que a palavra "capitalismo", se utilizada com o significado que a maioria das pessoas dá a ele, é um termo de pacote fechado. Por "capitalismo", a maioria das pessoas não quer dizer nem o livre mercado simpliciter, nem o predominante sistema neomercantilista simpliciter. Antes, o que a maioria das pessoas quer dizer com "capitalismo" é este sistema de livre mercado que atualmente prevalece no mundo ocidental. Em suma, o termo "capitalismo", como é geralmente usado, esconde uma suposição de que o sistema predominante é um livre mercado. E, uma vez que o sistema predominante é, na verdade, de favoritismo governamental em relação às empresas, o uso comum do termo carrega consigo a suposição de que o livre mercado é o favoritismo governamental em relação às empresas.

Os muitos monopólios

Nós, libertários, defendemos a liberdade econômica, não as grandes empresas. Defendemos mercados livres, não a economia corporativa. Como seria uma sociedade baseada em mercados liberados? Sem dúvida, totalmente diferente dos mercados controlados que temos hoje em dia. Mas com que frequência ouvimos que o desemprego em massa, as crises financeiras, as catástrofes ecológicas e o status quo econômico resultam da voracidade dos “mercados desregulados”? Como se estivessem por toda a parte!