A história libertária da ficção científica

O que nos leva a uma razão final pela qual os autores libertários optam por expressar suas ideias através de uma lente de ficção científica. Embora as distopias satirizem e alegorizem os sistemas políticos e as práticas sociais defeituosas que governam o mundo que conhecemos, a ficção científica costuma explorar mais novos mundos e sistemas. Ao contrário da “ficção literária tradicional, que se passa principalmente no mundo atual ou no passado histórico”, escreve Somin, “a ficção científica […] facilita aos autores explorar ideologias [como o libertarianismo] que diferem radicalmente daquelas dominantes no mundo real”- ideologias que, diferentemente do socialismo, nunca foram realmente tentadas.

Liberalismo vs. Fascismo

E Spencer viu a Inglaterra começando a seguir os passos da Alemanha; ele observou com alarme "uma extensão manifesta do espírito militarista e da disciplina entre a polícia, que, usando chapéus em forma de capacete, começando a carregar revólveres e se encarando como meio soldados, passou a falar do povo como 'civis' ", e ele se opôs à "crescente assimilação das forças voluntárias ao exército regular, passando a propor a disponibilização no exterior, para que, em vez de ações defensivas para as quais foram criadas, possam ser usadas como ações ofensivas."

Por que os libertários acreditam que só existe um direito

Lembre-se também de que, se direitos são padrões externos de avaliação das instituições políticas, eles não podem, sem recair em circularidade, ser definidos com apelo a essas instituições; ao contrário, para parafrasear Jefferson, os governos são instituídos entre os homens para garantir direitos definidos de forma independente. Portanto, não é possível que exista um direito básico de ser tratado de uma certa maneira pelo governo; qualquer direito dessa natureza deve ser reduzido aos direitos válidos em relações interpessoais comuns. O sistema libertário de direitos de propriedade é passível de descrição dessa maneira; a posição estatista-assistencialista, aparentemente, não.

Cantões Virtuais: um novo caminho para a liberdade?

O caso islandês tem sido um modelo popular entre os defensores libertários do anarquismo de mercado. Mas é importante para oferecer lições valiosas aos que pensam em estruturas de governos também. No âmbito de um Estado, o divórcio entre jurisdição e geografia não é uma opção em nível nacional; mas continua a ser uma opção muito viva em nível local. Assim como uma nação pode ser dividida em vários pequenos cantões geograficamente distintos para fins de governo local e representação nacional, ela também pode ser dividida em unidades políticas análogas que não tenham nenhum significado territorial. Estes poderiam ser chamados de "Cantões Virtuais".

Igualdade: O Ideal Desconhecido

Dada a vasta desigualdade de autoridade entre o aparato estatal e seus súditos — ou seja, dada a vasta desigualdade socioeconômica entre eles —, como é possível que aqueles que se consideram tão dedicados à igualdade humana prontamente se tornem apologistas do Estado? Isso é algo que atordoa os libertários. Não dá para entender como é que aqueles que demonstram tamanha sensibilidade em relação a restrições de escolha e a diferenças de poder de barganha, quando estas derivam de fatores de mercado, se tornam tão incrivelmente cegos para as restrições de escolha e os desiguais poderes de barganha gerados pelo braço armado do Estado, o qual tem plenos poderes para impingir suas demandas por meio da violência legalizada.

Livro: O problema da autoridade política

Quem deveria ler esse livro? As questões abordadas aqui são relevantes para qualquer pessoa interessada em política e governo. Espero que meus colegas filósofos aproveitem, mas também espero que alcance além desse pequeno grupo. Portanto, tentei minimizar o jargão acadêmico e manter a redação o mais clara e direta possível. Não pressuponho nenhum conhecimento especializado.

Avaliando as teorias sociais

Uma forma relacionada de utopia consiste em suspender suposições gerais sobre a natureza humana ao considerar agentes do Estado. Os defensores do governo costumam apontar os danos que podem resultar da ganância generalizada e do egoísmo da humanidade na ausência de um governo capaz de conter nossos piores excessos. No entanto, raramente param para considerar o que pode resultar da mesma ganância e egoísmo na presença do governo, supondo que os agentes do governo sejam igualmente propensos a essas mesmas falhas. Não é que os estatistas tenham alguma explicação de por que os funcionários do governo são mais virtuosos que as pessoas comuns. Nem têm algum plano para fazer isso acontecer. Antes, parece simplesmente nunca ter ocorrido à maioria dos estatistas aplicar suposições realistas sobre a natureza humana ao próprio governo. O Estado é tratado como se estivesse acima do mundo humano empírico, transcendendo não apenas as restrições morais, mas também as forças psicológicas que se aplicam a seres humanos individuais.

E se não existir autoridade?

Se não há autoridade, segue-se que devemos abolir todos os governos? Não. A ausência de autoridade significa, grosso modo, que os indivíduos não são obrigados a obedecer à lei apenas porque é a lei e/ou que os agentes do Estado não têm o direito de coagir os outros simplesmente porque são agentes do Estado. Ainda pode haver boas razões para obedecer à maioria das leis, e os agentes do Estado ainda podem ter razões adequadas para se engajarem em ações coercitivas suficientes para manter um Estado. Se os argumentos dos capítulos anteriores estiverem corretos, as circunstâncias e propósitos que justificariam a coerção por parte do Estado são justamente as circunstâncias e propósitos que justificariam a coerção por parte de agentes privados. Resta ver se algumas organizações estão justificadas em participar de atividades semelhantes a algo como um Estado para se qualificarem como Estados. Na terminologia da filosofia política contemporânea, até agora defendi o anarquismo filosófico (a visão de que não há obrigações políticas), mas ainda tenho que defender o anarquismo político (a visão de que o governo deve ser abolido).

Anarquismo e Libertarianismo

"Libertarianismo" é entendido como um termo para uma ideologia política específica, descrito como sinônimo de anarquismo e, mais precisamente, o anarquismo comunista de Joseph Dejacque (1821-1864), cujo uso de "libertaire" nesse sentido data de 1857 - embora os anarquistas individualistas também tenham adotado o termo. Atualmente, no entanto, o termo "libertarianismo" é frequentemente associado, principalmente nos países de língua inglesa, a um movimento que defende mercados livres, propriedade privada e laissez-faire econômico, geralmente repousando ou na eficiência do sistema de preços como coordenando planos individuais ou então, sobre um princípio ético de autopropriedade ou não-agressão, que é levado a definir direito individuais contra interferência externa forçada nas pessoas e propriedade (justamente adquirida).

Livro: Argumentos para a Liberdade

Uma coleção de nove ensaios originais de grandes filósofos apresentando as principais teorias morais e como elas sustentam um sistema político libertário.