Direitos às armas como restrições deônticas

Para argumentar que a proibição não viola os direitos de ninguém, Dixon e McMahan devem sustentar que todos os indivíduos ficam mais seguros com a proibição de armas; nenhum risco individual de sofrer crimes violentos aumenta. Mas isso é certamente falso. Considere o caso da mulher que quer comprar uma arma para se proteger de seu ex-marido mentalmente instável e afastado. O ex-marido a supera em 40 kg. Ele já abusou dela antes. A polícia não pode ou não irá protegê-la; eles não estacionarão um carro na frente da casa dela a noite toda, nem enviarão um oficial para segui-la o dia inteiro. Ela não tem esperança de se defender sem uma arma. Ela não está mais segura se ela e o ex-marido forem legalmente proibidos de comprar armas; ela irá ficar à sua mercê.

Igualdade: O Ideal Desconhecido

Dada a vasta desigualdade de autoridade entre o aparato estatal e seus súditos — ou seja, dada a vasta desigualdade socioeconômica entre eles —, como é possível que aqueles que se consideram tão dedicados à igualdade humana prontamente se tornem apologistas do Estado? Isso é algo que atordoa os libertários. Não dá para entender como é que aqueles que demonstram tamanha sensibilidade em relação a restrições de escolha e a diferenças de poder de barganha, quando estas derivam de fatores de mercado, se tornam tão incrivelmente cegos para as restrições de escolha e os desiguais poderes de barganha gerados pelo braço armado do Estado, o qual tem plenos poderes para impingir suas demandas por meio da violência legalizada.

Keynes sobre eugenia, raça e controle populacional

A literatura sobre a vida e as ideias de John Maynard Keynes é enorme. No entanto, seus defensores negligenciaram seus pontos de vista sobre a população. Por quê? Suas ideias nesta área são altamente problemáticas. Este artigo fornece documentação que mostra que Keynes defendia extensos controles governamentais sobre o tamanho e a qualidade da população.

Todos devemos economizar mais: A economia da ética da poupança

Como na externalidade da oferta de trabalho, no entanto, existem benefícios adicionais decorrentes da decisão de poupança. Conforme observado, a economia, medida pelo valor total do produto, torna-se maior pelo tamanho do incremento do valor refletido no produto líquido do investimento de capital que o ato inicial de poupar torna possível. Certamente, as fontes adicionais disponíveis para gastos, tanto em bens de consumo quanto em capital, no segundo ano devem vir da pessoa que primeiro poupa e depois recebe esse retorno líquido. Mas essa pessoa, no segundo ano, é capaz de retornar ao gasto ou ao fluxo de capital, ou ambos, US$ 1,05, que se torna a demanda por bens e serviços produzidos na economia. E uma economia que é maior, mesmo que em cinco centavos, é capaz de explorar mais plenamente as vantagens da especialização no uso de recursos. Coloque um dólar de poupança adicional junto com outros que refletem decisões semelhantes por parte de muitas pessoas, e uma tecnologia em algum lugar à margem da viabilidade econômica pode ser empurrada para além do limite da capacidade de sobrevivência.

Livro: O problema da autoridade política

Quem deveria ler esse livro? As questões abordadas aqui são relevantes para qualquer pessoa interessada em política e governo. Espero que meus colegas filósofos aproveitem, mas também espero que alcance além desse pequeno grupo. Portanto, tentei minimizar o jargão acadêmico e manter a redação o mais clara e direta possível. Não pressuponho nenhum conhecimento especializado.

Da democracia à anarquia

A estratégia argumentativa de Mozi é simples e convincente: ele parte de uma proibição ética incontroversa, aplica o mesmo princípio a um tipo específico de política do governo e considera que a política é moralmente inaceitável. É no espírito de Mozi que questiono a instituição do governo como um todo. Se um indivíduo viaja para outro país para matar pessoas, extrai coercivamente dinheiro de membros de sua própria sociedade, força outros a trabalharem para ele ou impõe exigências prejudiciais, injustas ou inúteis a outros através de ameaças de sequestro e prisão, os governos do mundo todo condenariam esse indivíduo. No entanto, esses mesmos governos não evitam realizar as mesmas atividades em escala nacional. Se achamos o argumento de Mozi convincente, parece que deveríamos achar similar o argumento de que a grande maioria das ações do governo é eticamente inaceitável.

Justiça criminal e resolução de disputas

Existem dois sistemas principais pelos quais uma sociedade pode prever a resolução de disputas e a correção de violações de direitos. O primeiro é o sistema coercitivo e monopolista, no qual uma única organização assume autoridade exclusiva para fazer leis, resolver disputas e punir criminosos. Problemas grandes e bem conhecidos tendem a ocorrer em sistemas desse tipo, incluindo condenações errôneas frequentes, restrições legais excessivas e excessivamente complexas, altos custos monetários, atrasos, prisões superlotadas, abuso de prisioneiros e altas taxas de reincidência. Os governos em geral fazem pouco para resolver esses problemas, apesar da identificação por cientistas sociais e outros especialistas de inúmeras medidas que poderiam ser tomadas para melhorar significativamente o sistema. Essa negligência por parte do governo pode ser atribuída às características definidoras dessa abordagem da justiça; ou seja, seu caráter coercitivo e monopolista. Como o sistema governamental é financiado através de impostos obrigatórios, tribunais, prisões e outros elementos do sistema judiciário podem continuar a coletar a receita que o governo deseja alocar, independentemente da satisfação do consumidor. Como o governo detém um monopólio efetivo da provisão de justiça, essas organizações não precisam temer a substituição por concorrentes, independentemente de seu desempenho.

E se não existir autoridade?

Se não há autoridade, segue-se que devemos abolir todos os governos? Não. A ausência de autoridade significa, grosso modo, que os indivíduos não são obrigados a obedecer à lei apenas porque é a lei e/ou que os agentes do Estado não têm o direito de coagir os outros simplesmente porque são agentes do Estado. Ainda pode haver boas razões para obedecer à maioria das leis, e os agentes do Estado ainda podem ter razões adequadas para se engajarem em ações coercitivas suficientes para manter um Estado. Se os argumentos dos capítulos anteriores estiverem corretos, as circunstâncias e propósitos que justificariam a coerção por parte do Estado são justamente as circunstâncias e propósitos que justificariam a coerção por parte de agentes privados. Resta ver se algumas organizações estão justificadas em participar de atividades semelhantes a algo como um Estado para se qualificarem como Estados. Na terminologia da filosofia política contemporânea, até agora defendi o anarquismo filosófico (a visão de que não há obrigações políticas), mas ainda tenho que defender o anarquismo político (a visão de que o governo deve ser abolido).

A psicologia da autoridade

Sugeri neste capítulo que os seres humanos são equipados com preconceitos fortes e generalizados em prol da autoridade que operam mesmo quando uma autoridade é ilegítima ou emite comandos ilegítimos e indefensáveis. Como vimos, os indivíduos confrontados com as demandas das figuras de autoridade podem sentir uma compulsão quase incondicional de obedecer, e isso pode levá-los a procurar explicações sobre por que a autoridade é legítima e por que são moralmente obrigados a obedecer.

Consequencialismo e Equidade

"Vamos estender um pouco mais a história do barco salva-vidas. Você forçou os outros passageiros a retirar água do barco, poupando-o de afundar. Enquanto você está com a arma, decide que pode também alcançar alguns outros objetivos desejáveis. Você vê um passageiro comendo batatas fritas, o que aumentará o risco de doenças cardíacas. Apontando a arma para ele, você ordena que ele entregue as batatas fritas. Então você percebe um par de passageiros do outro lado do barco jogando cartas. Quando você vê que eles apostaram dinheiro no jogo, ameaça-os caso não parem de jogar. Outro passageiro tem algumas jóias caras, então você a pega e distribui para alguns dos passageiros mais pobres. Você também recebe $50 de todo mundo e dá para sua amiga Sally. Você ameaça atirar em qualquer outro passageiro que tente fazer as mesmas coisas que você está fazendo. Então você decide que seria bom ter um pouco de arte, forçando os outros passageiros a entregarem alguns de seus pertences para poder fazer uma escultura com eles. Por fim, você sente um desconforto em relação a um dos passageiros - não gosta da aparência dele - e ordena que os outros passageiros o joguem no mar."