Mãos Invisíveis e Encantamento: A Mistificação do Poder do Estado

Quando, na teoria social libertária, são invocados mecanismos de mão invisível ou ordem espontânea, eles são apresentados, costumeiramente, como uma alternativa benigna ao poder do Estado. No entanto, há motivos para acreditar que o próprio poder do Estado igualmente depende, para sua manutenção, de mecanismos de ordem espontânea.

O Anarquismo de Mercado como Constitucionalismo

A suposição confusa de que um framework legal deve (ou sequer pode) ser externo ao que ele constringe tende a tornar a estrutura política invisível, exceto na medida em que ela é efetuada nas instituições familiares do monopólio estatal. E isto, por sua vez, ajuda a explicar o que os anarquistas frequentemente acham intrigante: a saber, a tendência entre não-anarquistas a tratar uma única instância malsucedida e indesejável de uma sociedade sem Estado como uma refutação do anarquismo per se - ao passo que ninguém considera uma única instância malsucedida e indesejável de um Estado como uma objeção decisiva contra o Estado como tal.

Aborto, Abandono e Direitos Positivos

Começamos com três proposições: que as pessoas têm um direito a não serem tratadas como meros meios para os fins de outrem, que uma mulher que voluntariamente fica grávida ainda assim tem o direito a um aborto, e que uma mulher que voluntariamente dá à luz não tem o direito de abandonar sua criança até que encontre uma pessoa tutora substituta. Estas proposições inicialmente pareciam inconsistentes, pois a proibição de tratar outras pessoas como meros meios parecia eliminar a possibilidade de direitos positivos, tornando assim impossível conciliar o direito a abortar ou o direito a não ser abandonado (ambos os quais, se argumentou, são positivos na forma).

Uma universidade construída pela mão invisível

A história da Universidade de Bolonha oferece um exemplo de como os mecanismos da ordem espontânea essenciais ao anarquismo de mercado – mecanismos como as associações de ajuda mútua e as jurisdições legais concorrentes – podem operar num cenário universitário.

Podemos escapar das classes dominantes?

Nós tendemos a pensar na "classe dominante" como um conceito marxista; mas a noção tem uma longa história antes de Marx, particularmente nos historiadores Gregos e Romanos antigos, e a análise de classe desempenhou um papel central nos séculos XVIII e XIX do liberalismo clássico também. Sempre que as decisões e ações da máquina política são amplamente controladas por um grupo específico, e servem para promover os interesses e reforçar o poder desse grupo, tal grupo é corretamente chamado de classe dominante.

Robert Nozick, filósofo da liberdade

Vinte e oito anos atrás, um professor de filosofia da Harvard chamado Robert Nozick fez algo impensável no polido meio intelectual: publicou um livro defendendo o libertarianismo.

Economia e seus pressupostos éticos

Quando eu dei o título de "Pressupostos Éticos da Economia", meu primeiro pensamento foi "a economia não tem pressupostos éticos". Mas depois pensei que isto poderia não ser a melhor maneira de ganhar pontos aqui. Então eu vou falar sobre alguns sentidos em que a economia pode ter implicações para a ética.